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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Papel e Caneta

A moça era feita de vazios. Sentia vazios de épocas, lugares, coisas que nunca fizeram parte de sua realidade. Ela era o sonho em um corpo, sentia saudade de uma década a qual não nascera, abria as cortinas do apartamento e como se fosse real, via a neve cair e acumular-se no chão, mas não havia neve. Chegava do trabalho que não tinha, sentava naquele sofá-cama que não possuía. A moça mergulhava por sua alma, e entrava pelos diversos lugares que nunca havia chegado, entrava em jardins enormes, com árvores gigantes e frequentemente lia um livro na sombra daquelas árvores. Via o sol se pôr todos os dias, assim como via o mar, e contemplava montanhas, lagos, rios tão transparentes quanto seus olhos. Ah! E eles falavam muito, eles traduziam onde é que a moça estava, embora estivesse parada, sentada, papel e caneta na mão.

Mariana Zogbi


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