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Cartas para Théo


Carta 1


A história que vou contar agora é a história de um príncipe, ele não tinha um cavalo branco, nem morava em um castelo grande, com jardim na frente, como nas histórias que a gente ouve. O príncipe morava em uma casa, que era só dele, e nem mesmo a pessoa que mais o amava teria visto seu rosto. No começo de sua vida, quando o príncipe era bem pequenininho a casa era grande, ele crescia, crescia e... chegou  um dia que a casa do príncipe ficou tão pequena, mas tão pequena, que ele teve que ir embora para nunca mais voltar, ele sabia, que quando ele saísse todo mundo estaria ansioso para ver seu rosto, então o príncipe teve medo, e todo encolhido resolveu ficar mais alguns dias em sua casa.

Lá de dentro ele ouvia as pessoas conversarem, "Quando será que ele vai sair daí?" isso ele ouvia varias vezes ao dia e as vozes que perguntavam nem sempre eram as mesmas. Às vezes o príncipe pensava que tinha um reino todo ansioso para ver seu rosto. Outras vezes ele ouvia:  "Nossa! Que ansiedade, não vejo a hora de ver como ele é! Para quando que é?" E, depois dessa pergunta, vinha uma voz fazendo eco dentro de sua própria casa, a voz era muito conhecida e respondia: "Não sei ainda, estou esperando também, espero que logo." O príncipe pensava que essa era a pessoa mais ansiosa para vê-lo, pois era a mesma voz que respondia todas as perguntas, que cantava todas as músicas, que chorava, que ria. "Essa pessoa não deve sair de perto da minha casa." Pensava o príncipe.
Chegou um dia que a casa ficou menor ainda, o príncipe teve medo, não queria encontrar tanta gente. E algo muito estranho começou acontecer. A casa foi apertando, apertando, até que colocou o príncipe para fora, ele ficou muito assustado e começou a chorar, chorou, chorou e a voz conhecida que ele ouvia todos os dias chegou bem pertinho, encostou o rosto no príncipe e disse: "Meu filho!"
Então o príncipe nunca mais teve medo.

Vez em quando ela pegava minha mão e colocava para sentir o chute do príncipe, dessa vez eu não deixei escapar: da mão ao coração, trouxe toda emoção para escrever.


Carta 2


Quatro meses, meu Deus. E parece que 28 de outubro foi ontem (e não é que foi mesmo?!). Eu estava lá, doida para ver o rostinho dele. Meu coração ficou apertado, eu não via a hora de receber a notícia de que ele havia nascido. Ter visto o rosto daquele bebê, tão pequenininho e ainda lembro das minhas dúvidas para a enfermeira: "Lá dentro é quentinho para ele? Ele está tremendo, é frio?" E ela me garantiu que estava tudo bem com o Théo. E aos poucos, vou acompanhando seu crescimento. Às vezes ele segura minha mão, às vezes sorri pra mim, às vezes eu sinto que sou a doula mais babona do mundo todo! 


Carta 3


Quando eu vi o rosto do príncipe, fiquei muito emocionada e feliz. Era o príncipe mais bonito do mundo e de todos os reinos. Ele estava dentro de uma sala pequena, eu esperava do lado de fora, eu e alguns de seus familiares e amigos. Do vidro a gente via o rosto dele, todos sorriam e se abraçavam, acho que deveriam declarar feriado internacional, de tanta felicidade que sentimos, seria um feriado decretando alegria para todas as pessoas do mundo.

O tempo passou muito rápido e eu queria ter tido tempo para contar cada detalhe desse conto de príncipe de verdade, exatamente 6 meses, 9 dias e sem mentir, 1 hora, tudo isso desde que foi possível ver o rosto do príncipe.
Quando ele chegou, não sabia nada, mal sorria para aquela gente toda que observava seu rosto, mas ele foi aprendendo... Aprendeu a segurar alguns brinquedos, aprendeu a sorrir e a fazer gracinhas para os outros sorrirem também... E agora vai ter dente, não é fácil recebê-los, acredito...
No geral, desses 6 meses, 9 dias, 1 hora e 26 minutos eu só tive certeza do que eu imaginava bem antes dele nascer: do meu carinho, amor e alegria, sem medidas. Às vezes eu me pego pensando quando eu estava ansiosa para que ele viesse ao mundo e fiquei seriamente preocupada quando percebi que estava demorando muito; eu não via a hora de poder vê-lo. Eu tinha vontade que ele compreendesse algumas coisas que falo para ele, eu contaria como era esse reino antes dele chegar, contaria que tê-lo acompanhado desde o princípio de sua jornada, só alimentou um dos meus maiores sonhos que é cuidar de príncipes e princesas de qualquer reino. Tomara que Deus permita que eu esteja sempre, sempre, sempre ao seu lado.

Carta 4


Eu queria que você pudesse ler cada palavra que ao longo dos dias eu colocarei aqui. Mas você ainda nem sabe fazer sua mamadeira...



Hoje você ficou muito enjoado porque seus dentes estão querendo nascer... Sua mãe quase chora junto, seu pai tenta te animar de todos os jeitos... Sede, fome, sono... Ou seria dente mesmo?

Bebeu água e não parou de chorar, não quis mamar, ufa... Dormiu! Era sono...


Boa noite Théo.



Carta 5



Bebê, 

hoje você deve ter tido um pesadelo muito ruim, enquanto dormia, parecia chorar. Deu vontade de que você entendesse que ficaria tudo bem e que para acabar com os pesadelos, bastava acordar... Bom, eu sei que não é tão fácil assim. Segurei sua mão para que você soubesse que tinha alguém ali com você. E pedi baixinho para que Deus mandasse embora todos os monstros que ousassem chegar perto do seu castelo e incomodar seu sono. Tomara que tenha dado certo!


Carta 6



Eu e sua mãe levamos você ao pediatra, já faz umas três semanas, mas eu esqueci de escrever e, de certa forma, te contar também (você nunca vai lembrar, depois que crescer). Foi a primeira vez que eu carreguei você em um "canguru" e você adorou, até dormiu. E a gente chamou a atenção de todos que passavam... Mas você pesa e não pesa pouco, segundo o pediatra, 8,050kg. Hoje provavelmente passaremos a tarde juntos, sexta-feira eu não tenho aula à tarde e geralmente dedico meu tempo livre para ficar com você... Eu te amo tanto, bebê... Não vejo a hora de poder conversar com você e você conversar comigo...



Carta 7



Às vezes a faculdade aperta e eu não posso te ver todos os dias... Pelo menos na semana passada deu tempo de ir ao pediatra com você e sua mãe, você cresceu 1 centímetro e engordou 600g. Eu morro de saudade quando não te vejo, parece que são anos sem você, quando na verdade, são apenas alguns dias. Primeiro porque você cresce muito rápido e depois porque eu acostumei com a grande, pequena pessoa que você é para mim, na minha vida. 



Carta 8



Bebê, você já tem oito meses e daqui a pouco é hora de ir ao pediatra novamente... Você já tem três dentes (ooooooooh) e mais dois querendo nascer... Agora você aprendeu a falar "nanãna" e eu espero que seja por causa do meu nome (Eu sei que não é... Mas deixa eu achar que é, só um pouquinho.) Depois de "dãdadá" "títítí" "têté", "nanãna" me deixa toda boba! Sou uma criança quando estou com você e é muito legal ver que você corresponde dando gargalhadas das minhas palhaçadas e bobeiras. Estou muito feliz porque estou com você todos os dias, sei lá, um dia você vai entender a vida dos adultos e vai ver que ser criança é muito melhor do que ser adulto... Olhar para você e para esse sorriso de três dentes, faz com que minha vida adulta seja mais bonita e feliz, e para não ser egoísta: eu sei que nascer dente dói, querer mamadeira sem saber pedir, dói, querer ficar acordado e ter sono também dói, ficar no cercadinho também é chato, eu sei que você quer sair engatinhando e pegando tudo que encontra pela casa, mas acredite em mim, ser adulto é muito mais chato... Acho que criança é um tipo de anjo também, sabe, é incrível, estar com você  é uma responsabilidade enorme e muito, muito, muito gratificante. Obrigada Théo :)



Carta 9



Nove meses, meu "Dedê", você está cada dia mais lindo e grande. Fomos ao pediatra novamente, você engordou mais um pouquinho e cresceu também. Ganhou mais três dentes, totalizando seis. Nanananã é Mariana mesmo, porque eu atendi quando você me chamou assim, agora você associou uma coisa na outra e pronto, virei nanãna. Daqui a pouco vou sair de férias e a tristeza de ficar sem te ver e te ninar no meu colo, por 15 dias, está doendo no meu coração... Você alivia a dor da saudade da minha casa e família. Eu amo nossos dias, brincar com você, te fazer dormir... Fico te olhando e lembro da sua mãe com um barrigão, esperando você. Meu Deus, que ansiedade. Você me traz sentimentos tão inexplicáveis, uma paz, alegria... E também uma certa saudade do sentimento de espera, de ficar imaginando como seria seu rosto... Cuide dele, Meu Deus... Peço baixinho. Carregue-o no colo, quando eu não mais puder.



Carta 10



Meu coração está doendo de saudade. Muita saudade. Há 10 dias eu não vejo você, nem ouço sua voz, mesmo que seja um "dedede". Como você faz falta na minha vida, Théo... De longe, vejo suas fotos, seus sorrisos pra mim, e sinto como se faltasse um pedaço na minha alma, um vazio, fundo. Mas me acalmo quando penso que você está aí, mesmo longe do meu colo, mesmo longe do meu cuidado... Daqui a pouco estarei de volta e então você poderá preencher meu coração novamente, para caber no meu colo, para mandar embora esse vazio. 



Carta 11



É dez, é dez! Parabéns meu pequeno príncipe! 

Se eu estivesse aí do seu lado, claro que faria muita bagunça com você e cantaríamos parabéns, até você cansar... Que saudade, Théo! Te abraço forte, à distância, você pode sentir? 
Falta pouco para você fazer um ano, estou ansiosa para vê-lo andando e conversando comigo, prestando atenção nas minhas histórias e contando outras para mim. Espera só mais um pouquinho que semana que vem eu estarei voltando, prometo! E vamos recuperar o tempo perdido! Parabéns meu amor, seja abençoado.
Te amo, te amo, te amo.
(quase que isso não pode ser chamado de carta, um telegrama, talvez.)


Carta 12


Você fez 11 meses e a gente comemorou com bolo. Foi seu último aniversário de mês. Agora você vai começar a contar os dias e a cada 365, às vezes 366, você fará mais um ano... É inevitável lembrar que ano passado, eu estava muito ansiosa para sua chegada, quase não podia me conter de tanta alegria. Alegria, ansiedade, receio, eu queria muito ver você, te pegar no colo, eu queria muito que passasse o momento do parto, para ver você e sua mãe, ambos bem e felizes, para que minha alegria fosse completa. Depois de amanhã é seu aniversário de um ano. Vinte e oito de outubro de dois mil e doze, às vinte e três horas e quarenta minutos, nascia o motivo mais bonito da minha alegria- nascia o Théo, nascia você. 
Vou te contar como foi, para que você saiba de tudo, quando for grande.


Foi exatamente uma semana de dor. Você queria nascer.

Para que eu conte o começo, é preciso que eu conte o final: você nasceu no domingo.
Sábado, 27/10, sua mãe passou a noite contando de quanto em quanto tempo vinham as contrações, anotava tudo em um bloquinho de papel... Eu só fui descobrir de manhã, quando recebi uma mensagem dizendo que ela havia ido para o hospital. Fiquei triste, eu queria ter ido junto. Pensei que você fosse nascer. Não almocei, andava de um lado para o outro, não conseguia falar com sua mãe. Da sala para o quarto, olhava no celular e nada... Até que por volta das 17h, sua mãe chega com você... Na barriga. Ufa! Meu coração disparou, ai que vontade de chorar. Eu queria estar com você, desde o momento que você viesse ao mundo... E por um descuido, quase não consegui. O sábado acabou e a dor não, pelo contrário, ela só piorava... 


No domingo fui à igreja. Quando cheguei lá, encontrei com sua avó, que disse que sua mãe havia sido internada e só sairia do hospital com você nos braços... "Quero ir para lá", eu disse. E por mensagem de celular, eu e sua mãe nos comunicávamos... Após o culto, sua madrinha me levou até o hospital, eu estava trêmula, ansiosa, feliz, havia chegado a hora. Encontrei sua mãe no quarto, deitada, estava esperando pela doutora...



Minha ansiedade só aumentava, minha alegria e também um certo medo- eu queria te ver logo. 

A doutora entrou no quarto, auscultou seu coração... O meu estava na mão. Frenético, eu orava para que tudo desse certo. As palavras da doutora foram: "Sobe direto com ela para a sala de cirurgia.".
E vocês foram, seu pai foi junto, para te ver nascer. Estava todo mundo muito ansioso.., Eu, sua avó Lia, sua tia e dinda Lília e o seu tio Wagner... Fomos tomar um café, enquanto você não chegava... Foram os minutos mais longos da minha vida... Eu só pedia para que Deus estivesse com vocês, para que tudo desse certo, para que você viesse com saúde, para que sua mãe ficasse bem. 
Esperamos.... esperamos.... e
O telefone tocou! Era seu pai!
Nasceu!!! Saímos eufóricos em direção à maternidade, os passos eram curtos e rápidos, ninguém escondia o sorriso... Quando nós chegamos, lá estava você. Naquele bercinho transparente, fechadinho, um vidro nos separava. Amigos da sua família chegaram também. Eu te olhava, eu explodia de alegria, tirávamos fotos. 


Você, com as mãos para cima, tremia. E eu perguntei para amiga da sua mãe, a Viviane: "É quentinho lá dentro?" Ela respondeu que sim.

Depois de ter te visto, eu queria ver sua mãe. Fomos para o quarto para esperá-la e foram outros tantos  longos minutos de ansiedade.
Sua mãe chegou no quarto e ainda estava sob efeitos da anestesia. De longe eu observava os amigos e seus familiares aproximando dela e conversando. Sua mãe não podia responder, mas concordava com a cabeça. 
Sua mãe então perguntou "Cadê a Mari?" E eu me aproximei da cama...
Não quero descrever mais a minha alegria. Imagine-a e sinta. A minha alma estava entrelaçada com a dela.
A minha alma estava sendo regada com o mais puro sentimento de alegria. 


Chegava a hora de você ir para casa, eu fui te visitar todos os dias no hospital, meu desejo era de ficar ali... No dia em que você chegou em casa, sua mãe enviou uma mensagem para que eu descesse para te ver, 15 degraus. 

Você estava lindo, de branco e dormia. A casa havia sido decorada com o indescritível sentimento de paz e amor, que até hoje pulsa em mim, quando te vejo me chamando pelo nome, ou simplesmente, quando te vejo sorrindo.


Obrigada, Senhor, pelos 12 meses (fora da barriga) do Théo. Por permitir-nos experimentar a plenitude na gratidão a Ti.


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