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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Compreensão

     Voltar ao jardim, cuidar das raízes que ainda alcançam os lençóis de água e pouco a pouco, na medida do tempo, voltar a regar as permanências. Depois de algum tempo levantar, bater a poeira da roupa, abrir os olhos para o mar. Cuidar das árvores, colher os frutos que ficaram esquecidos. Construir um muro vivo de rosas, lembrando sempre de que cada acesso agora, recorre em dor. Fechar o portão que foi deixado aberto pelas partidas, plantar girassóis na entrada.  Ah... os dias no Rio de Janeiro me fizeram encostar em uma árvore do jardim, assim, de frente para o mar, sentindo o coração da árvore pulsando, coração da árvore que era o meu, debruçado sobre a superfície, que me devolvia certeza de estar viva. Cuidar dessa árvore da vida e evitar de querer sair do espaço-corpo por excesso de aperto, mas compreender que é pulsando sem dor que a vida acontece, simples e leve. 
       Porém, é aí que um coração torna-se pequeno para o amor inteirinho que existe no universo, é aí que começamos a entender a limitação do corpo perecível, que abriga o eterno. É aí que eu quis tornar-me árvore, porque nela cabe sim, todos os sentimentos do mundo. Depositar-me aos pés de uma árvore, lentamente, com cuidado e sem dor. Aos poucos sentir que os fragmentos são conectados ao fluido de vida eterna, aos galhos que tocam o céu e abrem-se em flores. Enfim compreender que os pássaros vão e voltam, que o florir é marcado pelas estações, compreender não mais com pesar, mas com firmeza de árvore, compreender com sabedoria, com tranquilidade, com leveza de árvore, com leveza de quem compreende a eternidade. Compreender, enfim, compreender.

Mariana Zogbi

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