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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Siú,


Só agora eu tive coragem de lhe escrever. Sei que você recebeu minhas cartas mentalmente, mas não havia ânimo para deixar-te em palavras não etéreas. Sabe o que eu não entendi? O que é que se faz depois de morrer. O que é que se faz depois que esses sete graus e dedos roxos tocam a tecla sem sentir que dói? Sei que está frio e a razão me avisa para que eu beba qualquer coisa quente. É assim que funciona então? A razão entra em paranoia com o corpo depois que se morre? Mas isso é a razão ou a alma, porque não estou tateando e alma não sente frio igual o corpo sente, então não teria sentido que ela me avisasse para beber algo quente. Não some Siú, senão eu não sei como fazer depois de.   
Mariana,
Considere um aumento de temperatura  depois de. Por enquanto é a razão, ela age antes do sucumbir. Há muito o que fazer depois que se morre. Ontem eu estive com uma rosa, ela era linda e florida, enorme, mas tão menor que um trator... E foi assim que aconteceu, o trator passou por cima dela. Abaixei-me e restava um pedacinho de pouco menos de 4cm. Depois que se morre, Mariana, deve-se nascer de novo. É trabalhoso e para rosa não será fácil. Será longa a espera, por meses e talvez anos, mas ela também poderá escolher se deseja crescer para atingir seu objetivo de rosa, ou se deixa virar espinho seco no pé. A rosa pode escolher isso, momentaneamente, mas eu sei que o trator soterrou algumas sementes e é aí que a rosa não pode mais opinar. O tempo é senhor.

Siú,
Mas e quando a rosa não deixou sementes e os espinhos sufocaram os 4cm, o que se há de fazer?

Há de se reinventar, Mariana. A alma é indivisível, mesmo que você não veja as sementes, elas existem. E não é preciso acreditar, nem tatear para que ela exista, ela existe porque não há trator, não há soterramento, não há espinho, não há nada que mate a alma. Há de se nascer de novo nesse ciclo que você bem compreende. O tempo é senhor.

Eu entendo. Mas qual a função de um ser morto na reinvenção, Siú? Você não compreendeu a minha pergunta.

Não, Mariana, foi você que não compreendeu a minha resposta. Em outras palavras: moléculas de mercúrio à temperatura ambiente. Há de se reinventar. “É o próprio apesar de que nos empurra para frente”. 



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