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sábado, 1 de outubro de 2016

Garoa

          Hoje a sensibilidade me acordou cedíssimo. Quando amanheceu, procurei o mar e sentei em um banquinho de frente pra ele, vento frio e garoa discreta dentro e fora. Fora, era preguiça de gotas de chuva, dentro: não era exatamente minha. Respirei profundo, eu sabia de quem era. Desci na praia, peguei um pouquinho de areia e deixei que os grãos úmidos se dissipassem por entre os meus dedos... Cuidei das plantas da minha janela, como se cuidasse do coração, da garoa que não era minha, mas que eu sentia. Não há nada demais em garoar, mas respinga os óculos, atrapalha a visão, esconde o sol e nos convida à introspecção. Eu descobri muito cedo que atrás das garoas há sempre um céu azul e infinito, que garoa é nuvem que não quis chover forte, que não quis molhar os sapatos e fazer poças no chão, garoa é chuva que não quis brigar com os relâmpagos e nem quis desavença de trovoadas, mas que se deposita fina e desajustada em minúsculas gotas que uma hora escorrem... As garoas que eu conheço não duraram um raio de sol sequer, mas foram todas questão de tempo. De tempo e de aprendizado. 


"... Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas." Martha Medeiros.

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