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domingo, 9 de agosto de 2015


Para a minha amiga alma gêmea. 

Há tanta coisa que eu queria que você soubesse, mas são coisas feitas de sentimentos, as palavras nunca conseguem atingir o verdadeiro efeito que causam em mim. Não sei como anda sua preguiça para ler textos enormes...

Aquele texto do Caio que eu li ontem para você, quando ele diz: "Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora." Ele descreve boa parte do sentimento meu por você. Em todos os meus desajustes, vontade de desistir, as histórias sobre estrelas e borboletas, todas as filosofias de vida, tudo que eu tenho aqui dentro de mim, eu sei que compartilho com você e que está em todas elas, mesmo nos silêncios e distância física. Eu cresci (e a velhice me espera) desencaixada. As crianças brincavam com bonecas e casinhas, a minha diversão era observar formiga, um dia descobri um amigo com um microscópio, foi meu maior desejo de criança, eu queria saber o que tinha dentro das formigas, dentro de um tatu-bola (como ele conseguia virar uma bola?), queria saber o motivo pelo qual passarinho não caía quando voava alto... Hoje eu queria saber onde estão as asas quando os sonhos nos elevam... Lembra de Quintana? "Eles passarão e nós passarinho..."

A poesia nos aproximou, a escrita, a música e você acabou trazendo tanta coisa bonita. Fiquei pensando nos laços, laços para enfeitar presentes, laços para não esquecer, laços que embelezam os cabelos, laço que une... Os nós a gente desfaz e faz laço novamente. Quero ser laço até o fim. Às vezes te vejo numa procura tão grande, numa procura dentro de você, em meio a tantas coisas... As excessivas preocupações, querendo não ser, não sabendo ao certo o que se é e ao mesmo tempo tendo certeza de que é. E logo depois o pensamento te leva embora "o que é ser?" e todas as certezas se desfazem, feito vento na areia. A raiva, a tristeza, a vontade, a alegria, a necessidade, a culpa, todas as lágrimas e os sorrisos. Eu te sinto tanto, eu me vejo tanto em você. A verdade é que não temos segurança de nada. A gente sonha tanto, tem tanto medo de tudo, mas tudo pode ser nada, nada pode ser tudo, nós passarinho e isso tudo passará. Clarice tem um texto que diz assim: “O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão."

Então, todas as vezes que o desespero apaga as luzes e tudo parece maior, mais difícil, mais dolorido, eu respiro fundo, estico a mão e toco o interruptor, acendendo a lâmpada que sempre esteve ali (calma, não transborda nem uma fração de milímetro). Acho que a vida é isso aí mesmo, ainda bem que ainda não nos foi tirada a capacidade de respirar profundo. De todos os passarão e passarinhos, de todos os cordões, laços e alfinetes, eu quero ser alguém que arrebenta a porta do quarto, acende a luz e ainda fala carinhosamente "sai dessa merda.", quero ser alguém que troque a lâmpada também (arriscando meu medo de altura e choque elétrico), quero fazer festa com as luzes todas acesas e quero que você faça o mesmo, troque as lâmpadas, acenda as luzes e venha para minha festa- sem presentes mesmo, traz só laço de sempre. Há uma porção de países, pessoas e de vidas esperando por nós. Isso aqui não é nada.

Eu amo você


Mariana Zogbi

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