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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Urgências

“Sensibilidade: Capacidade de sentir”
           Pessoas sensíveis vivem de urgências, porque sentem e não há nada mais urgente do que o sentimento, seja ele qual for. Explicar a sensibilidade é tão difícil quanto explicar um cheiro - é necessário que exista algo tangível. Toco agora o mais fino dos sentimentos para explicar-lhes a sensibilidade. Com a alma, percorro os caminhos em mim para explicar-lhes a urgência dessa “capacidade de sentir”.
           Pessoas sensíveis sentem o sol, mas não é apenas quente - tem luz. Pessoas sensíveis sentem a chuva, mas não é apenas molhada, é melancólica, convidativa. Convida-nos às palavras escritas, aos livros ou apenas a uma folha em branco. Pessoas sensíveis perdem constantemente a cápsula protetora e vivem “à flor da pele”.
            Nascer à flor da pele é render-se à correria diária com certa relutância de vida, quer-se caminhar. Nascer à flor da pele é analisar cada palavra dita, ou não dita, é digerir os silêncios, preferir os vazios para completá-los e ter o prazer, o estranho prazer de esvaziá-los novamente. Quem nasce à flor da pele chora constantemente, mas descobre a mais delicada das alegrias nos detalhes.
            Na alma sensível mora uma contradição irremediável. Há dias em que o mundo é todo desagradável, injusto, irritável. E há dias em que o contentamento faz-se presente. Contentar-se com o pouco, com o nada, com o muito. Sentir-se bem, em paz e ter a terrível consciência de que há a tristeza, a saudade, as almas vazias e incompletudes que podem em um instante, surpreender-nos.
            Não há nada mais urgente que a capacidade de sentir, nada mais urgente que a necessidade de explicar o inexplicável de transformar cheiro em coisa palpável, visível; traduzir sentimentos em palavras e limitá-los. Nós precisamos mensurar o imensurável. Nas relações, queremos o cálculo correto do amor, da amizade, do carinho, do afeto, de forma que um “eu te amo” ou “eu sinto sua falta”, pode representar a maior das urgências limitadas em palavras. A alma dos sensíveis é um pedido de socorro, mas é capaz de salvar-se em segundos: há uma necessidade inadiável de viver.

Mariana Zogbi- Para o "Templo da Escrita"

2 comentários:

Moacir Willmondes disse...

Olá, Mariana.

Adoráveis urgências que geram um movimento interior capaz de impulsionar a vontade de viver com mais intensidade e tirando melhor proveito das coisas que realmente importam, como você bem falou, amor, amizade, carinho e afeto.

Amei tua expressão.

Um abraço!

Madeline disse...

Moacir, obrigada por suas palavras e por sua visita! Volte sempre :)

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