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sábado, 21 de junho de 2014

Era triste

Deparei-me com Agatha Christie várias vezes na estante de um Sebo, "Cipreste Triste" o nome do livro. Fui para casa sem ele. Não era a primeira vez que nos encontrávamos, mas, desta vez foi diferente. Havia mais de um exemplar na estante, o que fez com que meus olhos lessem várias vezes "Cipreste, Cipreste, Cipreste". Cipreste? Eu jamais havia pronunciado. Ci-pres-te. Fui para casa com a imagem do Cipreste que eu inventei. Por algum motivo desconhecido, eu sabia que tratava-se de uma planta, mas não havia nenhuma imagem para que eu acalmasse o pensamento. Inventei o meu cipreste. De começo, ele nem era cipreste, era cipestRe, depois, era uma folhagem rala, fina, dentro de um vasinho marrom, de plástico, pendurado no canto de uma varanda estreita. "Triste" porque era caído, feito samambaia. Meus pensamentos enfim, pararam de questionar-me e aceitaram a ideia do cipestRe, do vaso marrom, das folhas finas e caídas e da varanda estreita... Passaram-se os dias e eu ganhei um livro. Já não lembrava mais do cipreste, que de tão esquecido e aceito pela memória, deveria estar seco, a varanda empoeirada e tudo tão triste como o próprio cipreste. Mas, naquele instante meu e do meu novo livro, fui obrigada a entrar naquela varanda estreita novamente. São as palavras de Veríssimo que me obrigaram: "O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio, levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas, espalhava-as pela cidade inteira...". A varanda sumira da memória e eu estava parada olhando para meu cipestRe, no vasinho marrom  que era sustentado por nada, ao ar livre, em um pátio de uma escola... Mas não fazia sentido.  Eu lia Veríssimo e pensava no cipreste. Não era possível ter aquela imagem. Fechei o livro e fui pesquisar um cipreste. Deparo-me com uma árvore que fez parte da minha infância. Lá, era chamada de pinheiro. Por tanto tempo eu tive um cipreste no jardim de casa, nunca soube, nem quem era, nem que era triste, a samambaia era triste sim. Posso jurar que era.

Mariana Zogbi

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