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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Borboleta

Estava doendo de sensibilidade, não conseguia mover-se. Ah, essa alma do tamanho do mundo não lhe cabe. Exige tanto dela, sem falar nada, só de olhar. Estava dormindo para abafar a grandeza de vida que pressionava contra ela, leu um livro, quase dois, ouviu música, escreveu... Não adiantou...

"-Ensina sua irmã a ser culta igual a você, minha filha
-Não é cultura, mãe. A gente nasce assim. Não sei ensinar. É de nascença"

A moça tinha nascido assim, com falta de. E lia, escrevia, ouvia música, inventava histórias. A única coisa que às vezes adiantava era encontrar-se.
Encontrava-se nas leituras, nas músicas, nas artes e nas histórias.
Encontrava-se em algumas pessoas únicas, indescritíveis e inexplicáveis, pelas quais ela daria a vida.
E dava. Morria todos os dias por não tê-las sempre por perto.
Sua felicidade era tão cristalina e leve, quase não durava, era feliz porque era. Porque tinha alegria. Mas era triste, porque tinha tristeza também.
Ah! Procurava salvar-se, ou se continuasse alimentando seus demasiados sentimentos, pararia sabe-se Deus onde. E acreditava sempre em Deus também. O ser Grandioso e Maravilhoso que a criara.
Aceitava sua inconstância, nascera borboleta.

Mariana Zogbi

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