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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Queria te dizer tanta coisa que se você soubesse, viria correndo para ouvir. Eu sei da sua correria, sei que não há jeito de te receber em casa, nem para um café, por isso te escrevo. Te escrevo sem esperança nenhuma, na verdade, eu escrevo para mim, coloco seu endereço e só. É seu o envelope, pode abrir, mas eu escrevo para mim- para não sufocar. 

Hoje eu te vi, podia jurar que era você, só não levantei para conversar porque sabia que você não estaria por aqui, eu sei que não tem como, que está complicado, mas eu poderia jurar.
Queria te contar tanta coisa, mas não sei por onde devo começar, não é nada de mais, são coisas corriqueiras, apenas... Viver sempre dá nisso, nesse amontoado de coisas e perguntas sem respostas.
Eu criei uma fantasia de que você daria jeito para tudo, agora não consigo descriar. No fundo eu sei que você seria só mais um amontoado de perguntas sem respostas, mas eu, com essa minha mente ferrada, inventei que você seria minha salvação nesses dias. Às vezes te culpo também. Mas logo te perdoo, acredite. 
Ai meu Deus, tanta coisa mudou... Quando eu te ver você não vai me reconhecer. Essa coisa de reencontro também é algo que eu não consigo descriar, e se descrio por um segundo, crio novamente, para ter a sensação de que há jeito ainda, mesmo não acreditando, mesmo não tendo fé nenhuma.
Eu queria do fundo do meu coração acreditar nas pessoas que dizem que você está ciente da minha vida. Eu queria acreditar, tenho certeza de que algum psicólogo diria que de certo modo acredito, uma vez que escrevo. Eu escrevo para inventar uma presença que não existe, é o jeito mais fácil de arrastar esse peso... Tô meio magoada com o psicólogo. 
Acordei com você na cabeça, esses dias. Pensei que havia esquecido, mas como é possível? Foi uma facada, eu peguei o celular, desesperada, para ver que dia era- parecia que eu tinha dormido um mês inteirinho, e não fazia nem 2 horas que eu havia deitado. Eu olhava para data, meio sonolenta e com a faca atravessada no peito, perguntava que dia era, que mês eu estava vivendo- qual planeta?! Eu olhava a data e questionava (enlouqueci?)
Não, não havia passado um mês, ainda estava em setembro e foi um alívio... Mas depois veio a lucidez, não há problema em esquecer datas, hora e o mês. Não existe mais essa data, foi arrancada. Mas eu quis lembrar, ai, eu queria que você fosse feliz. Eu queria que você fosse, que estivesse há milhões de quilômetros de mim, mas que estivesse ali, eu atravessaria o mundo todo, para te ver. Enfim.
Ah! Não desisti da medicina, queria ser forte suficiente para isso, mas sou fraca. 
Às vezes faço as coisas e penso: "É para você." E me dá uma tristeza tão grande, porque eu inventei sua presença. 
Na maioria das vezes eu não penso nisso, fico contente com o que tenho... Mas às vezes passa pela minha cabeça que tudo isso poderia ter sido diferente. Você me dói sem remédio. 



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