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terça-feira, 16 de julho de 2013

Pesou.

Pensei que era aqui que fabricava toda a felicidade do mundo. Pensei que não existiam pessoas infelizes e tudo era sorrisos, mar e beleza. Deixei minhas coisas no quarto da casa, que agora era minha e saí, feito criança com seu brinquedo, saí dançante, com a alma exalando os melhores perfumes de Março. Eu queria ver a praia. E andei muito, andei feliz, olhando tudo em volta- eu era a pessoa mais feliz do mundo, e sabia. A praia estava ali e me esperava, o céu era tão azul que se misturava com o mar. Corria, sim eu corria na areia úmida da praia vazia- segunda-feira, corria como uma criança, olhando para trás as pegadas deixadas. Eu não tinha compromisso com nada- apenas com a felicidade, com a alegria de viver aquele momento. A vida era simples e resumia-se naquele instante, a vida era simples e resumia-se em correr, correr de ninguém, correr e marcar a areia, correr paralelamente ao mar. A vida resumia-se naquela intensidade de raios de sol que entrelaçavam com meus cabelos bagunçados pelo vento. Nunca mais eu choraria, nunca mais haveria dor, naquele lugar as pessoas eram felizes porque eram, sem motivo. Naqueles dias, meu eu não existia, o que eu era, nunca fora, não havia mais lágrimas, nem saudades nem machucado nenhum nos joelhos e nem no coração, a alma estava limpa, renovada, meu corpo era só o peso da alegria.

Mas pesou em mim a vida, pesaram os compromissos, os estudos, pesou a falta de tempo. Pesou ter que correr de alguma coisa, pesou ter que correr para alcançar o ônibus, pesou o estresse do trânsito, das pessoas mal humoradas, pesou a ansiedade, a saudade. Pesou o calor excessivo, daquele mesmo sol que entrelaçava meus cabelos. Pesou a realidade dos fatos. Pesou ver amigos chorando, pesou ter perdido pessoas pelas quais eu daria a vida- mesmo pesada. Pesou tanto que às vezes eu sento na areia da praia, naquela que um dia eu corri, estar sentada é mais cômodo, quando algo está pesando. Quanta melancolia cabe na saudade? Às vezes escapo, tomo uma chuva, saio com amigos, vou dormir cedo, escrever, desenhar... A gente busca apoio para descansar, para trocar os pesos, sempre há um mar esperando para ser visto. 

Mariana Zogbi

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