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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Lado de Dentro Ninguém Vê

A prosa da vez é sobre uma mala, nos dois sentidos de "sobre". Escrevo agora sobre a mala, grande, de pouco mais de meio metro de largura, não muito bonita, antiga.

Quatro horas esperando o ônibus para partir para casa, lá estava ela, de mala e mochila nas costas, nunca perdera um ônibus na vida a não ser naquele dia: trânsito parado.
Moça, talvez uns vinte anos, altura e feição de menina de quinze, ela a mochila cor de rosa e a mala preta. Não parava quieta, descia escadas, levantava a mala como se fosse uma dança ritmada, ora mão esquerda, ora mão direita. Todos que passavam pela moça levavam a atenção para a mala. É de se espantar.
O tamanho da mala era inversamente proporcional ao peso e altura da menina.
As pessoas viam a mala por fora, talvez pensassem que havia pouco mais que o necessário para uma viagem. Poderiam pensar também que a moça estava de mudança ou que, no mínimo, fazia musculação para aguentar 1/3 de seu corpo em uma das mãos. As pessoas viam tudo- a mala, a menina, o tamanho. Imaginavam tudo também- o peso, a força, o conteúdo. As pessoas sabiam de tudo que viam, só não sabiam que a mala estava vazia embora estivesse cheia de ar.
Sobre a mala eu digo para vocês: Somos malas e o lado de dentro ninguém vê.

Mariana Zogbi

Arrumando a mala

2 comentários:

Beatriz Leal Vieira disse...

Que agonia essa mala!! Quero saber o que tem dentro!! rsrs

abraços querida

Mariana Zogbi disse...

hahaha Cheia de ar! Abraços Bea linda!

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