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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Há ainda a Chuva

Para ele, que compõe metade de minhas células, olhos, sorrisos, lágrimas, altura, peso, tamanho, sensibilidade. Para ele que é a metade do que hoje existo, para essa metade, ainda viva, que pulsa dentro de mim. E quanto a outra metade: estrela em céu de chuva, ela está lá.

Numa quarta, talvez, não recordo tempo, mas sei que há muito, cantava ao telefone: "Dorme agora, é só o vento lá fora..."

E você, bobo que era, chorava ao som da minha voz, ainda meio enrolada, voz de criança. Trocamos os papéis, mas você não canta para mim e é por isso, por não ter você para cantar, que paro sem reação, diante dessa janela molhada de chuva, sem esperar nada; não há nada para ser esperado. Há ainda a chuva molhando a rua, molhando sacolas de lixo, molhando a torre de uma igreja. O meu próprio reflexo me olha, "vai chover aqui dentro", é o que me diz. Finjo não ouvir, finjo que estou sozinha, mas continuo a ver meus próprios olhos e ouvir gotejar... "É a chuva aqui dentro, eu não disse?" E como em um golpe, acabo com o falar desse silêncio- não há mais vidro, não há mais reflexo, não há mais falar em silêncio... Há ainda a chuva e o gotejar. "Dorme agora, é só a chuva lá fora"

Mariana Zogbi


2 comentários:

Beatriz Leal Vieira disse...

Mari, falando em cantar para alguém, já ouvisse a música do Roberto Carlos "Esse cara sou eu".. Quase chorei ao ouvir, imaginando um moço cantando para mim..

abraços

Mariana Zogbi disse...

Não ouvi ainda, Bea! Mas farei isso daqui a pouco!

Obrigada pela dica!

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