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sábado, 25 de agosto de 2012

Eu Conto um Pedido

-Você está aí?
Entrei na casa com um daqueles saltinhos toque-toque abafados, de mulher que não quer anunciar a chegada- não dessa forma.
Ele estava sentando de costas, numa cadeira confortável, de frente para uma janela aberta. Acho que olhava longe, não sei.
Eu estava de jeans e um casaquinho formal, trazia um sorriso, talvez fosse de nervoso, mas, no fundo eu esperava ansiosamente por aquele momento.
A casa era como casa de fazenda, brilhava a madeira do chão e dava um "ar de infinito" ao corredor.
Fui ao encontro daquela janela, meus sapatos anunciavam que eu estava cada vez mais próxima.
-Sente-se- ele me disse. Não olhou no meu rosto mas sabia de quem se tratava.
Puxei uma cadeira ao lado, meu nervosismo aumentava, passava a mão nos cabelos, arrumava os botões do casaco, cruzava as pernas...
-Bem, eu queria dizer que...
-Sim, eu te entendo.
-Mas, é, quero dizer...
Nesse momento eu sentia meu coração disparado, como assim me entende? Eu sabia que ele me entendia, mas eu não tinha dito nada!
-Eu sei que me entende, mas eu quero dizer que...
-Não precisa dizer...
Aquela calma estava me afetando, nenhum minuto ele me olhou no rosto, viu meus olhos, nada... Eu queria conversar com ele, aliás, eu havia ido lá, exatamente por isso.
- Eu sei que não preciso dizer, mas sabe... É esmagador, parece que tem um trator no meu coração, sabe, eu queria mesmo é que tudo isso não...
-Sei como se sente, mas não se preocupe, certo? Não se preocupe.
Senti uma frustração encher meu coração. Como assim? Não disse nada sobre mim, nada sobre o que estava doendo, aliás, eu não sei nem o que dói, mas eu sabia que se eu fosse lá, ele me entenderia e eu falaria tudo e ao mesmo tempo não diria nada com nada, mas... Seria perfeito, talvez me abrasasse no final e eu seria outra pessoa... Mas ele não olhou no meu rosto.
Levantei da cadeira, calmamente, ia despedir-me, bom... Ele é um senhor requisitadíssimo, maravilhoso, jamais faria uma falta de educação de levantar-me e sair pisando duro, mesmo com tamanha frustração! Mas quando percebo, ele se foi.
E saiu por onde??? Soaria irônico se eu dissesse: "Meu Deus!" Então não disse nada. Fui andando naquele longo corredor, deixando aquela cadeira vazia, a janela aberta. Fui caminhando para porta, por onde eu havia entrado, parecia que eu estava naquele local há uns vinte minutos, mas eu havia saído de casa antes de almoçar e me surpreendi com aquela quase noite. Deveria ser umas seis da tarde. Talvez.
Não havia ninguém, nem sinal dele... Descia os degraus da casa, que davam para o jardim e um belo portão, fui caminhando na intenção de chegar logo em casa, no mínimo estariam preocupados comigo. No meio do caminho senti um abraço. Os olhos abertos buscavam alguém ou alguma coisa- não havia ninguém. O abraço apertou tanto que eu quis chorar, chorar de alegria, mas estava tão assustada que não consegui nem pensar em chorar. Continuei caminhando, olhando para ver se alguém fecharia a porta e nesse momento eu pudesse ver o rosto de quem me abraçou- não havia ninguém.
-Só pode ser um sonho, daqui a pouco vou acordar, eu tenho certeza que não estou ficando louca!
Saí do portão, da casa, do abraço. Cheguei em casa e assustadoramente o relógio marcava onze horas da manhã, havia panelas no fogão, ninguém havia almoçado, tão pouco sentido minha falta. Pisquei os olhos forçadamente e alguma coisa me trouxe, como um susto
-Acorda, menina! O arroz está queimando! Pedi para você olhar, está dormindo com a cara na janela???
Arregalei os olhos com o grito dela, olhei sem entender, comecei a mexer o arroz rapidamente enquanto ela entrava em um outro cômodo reclamando:
-Que lerdeza! Nunca vi tão desligada!
Fico me perguntando se algum dia eu poderei voltar naquele lugar, será que posso? Encontrar o homem sentado e poder contar pessoalmente tudo o que aconteceu... Mas ele sabe. E, sabe mais, sabe onde moro e tudo que há no meu coração...

Mariana Zogbi



4 comentários:

Jethro Neri disse...

nossa, que texto!!! :o
sonhar acordado... Nunca tive essa senssação, deve ser muito irado.

Madeline disse...

Uma delícia!

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