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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mesmice do tipo qualquer motivo e o desencadear de um processo.

Novamente. Era quase impossível pensar, pensar tem lá suas desvantagens, mas não pensar é sufocador.
Irônico. É como se quisesse pensar, mas sabia que pensar não era o jeito.
Desaprendera a falar. 
Porém observava demais. E sabia que não era por acaso que isso acontecia. Entendia seus momentos de uma forma menos pessoal, como se aquilo que fosse dela, não fosse dela, mas sim do outro, e era preciso que ela sentisse para entendê-lo. Era quase uma dúvida, poderia ser isso, poderia ser uma fuga da realidade, mas como não sabia o que era a realidade daquilo, criava possíveis significados. 
Não era anormal, nem normal, era diferente da maioria. Enquanto uns apresentam motivos realmente convincentes, outros encontram motivos suficientes para chorar diante do espelho. (Poderia ter sentido cômico, mas para os que escolhem "qualquer motivo" ou "motivo algum" o espelho não apresenta uma imagem refletida.). Para estes, o espelho representa um filme, uma atenção maior ao que é menor. Uma atenção maior à lágrima do que ao rosto. 
É um filme dramático e há motivos suficientes para os do tipo "motivo algum" e "qualquer motivo" criarem esse filme. E esse motivo é justamente o ponto observado: A lágrima. 
Então estava feito. O processo teve um começo: 
Era o pensar não pensante,
a grande observação, 
a dor do outro ou a fuga do real, 
a diferença do todo, um espelho e a lágrima. 
Pronto, tinha terminado, aquela lágrima era motivo para decretar previamente o fim do mundo.
E repetia. Demorava às vezes. 
E eu, assistia ao mesmo filme, dando a mesma atenção às mesmas coisas. 

"Os motivos são únicos e são meus, de modo que qualquer motivo serve"
Mariana Zogbi


3 comentários:

Beatriz Moniz disse...

O espelho como algo filosófico? Sim.
Não obstante, cabe a nós valorizar o que veio e já passou, ou aquilo que virá à posteriori.
Que a imagem refletida seja a de um futuro, dotado de esperanças, em que as lágrimas serão de risos gigantescos, por um dia ter chorado, lágrimas de amargura no passado. Sim, o alívio em saber que situações ruins passarão e manhãs cinzentas são raras no Rio de Janeiro, mas acontecem.
Clima tropical, suor escorrendo no rosto, brisa do mar... Valorizadas apenas quando o dia amanhece chuvoso e nublado.
Problemas são contratempos que ocorrem, que tornar-se-ão brisa, chuvisco, chuva, tempestade, depende do ponto de vista.
Depende se você está acima, ao nível ou abaixo da nuvem tempestuosa.
O espelho reflete aquilo que você quer ver, não aquilo que você realmente é.
E o que nós somos? Somos todos uma projeção de um futuro emocionante, pleno, feliz, mais que perfeito (o perfeito demais não tem graça), para além de perfeito: COMPLETO.
Para que o filme seja cativante, preciso é que leve o público chorar, a sorrir, a se emocionar, a torcer pela mocinha, mesmo tendo certeza que ela terá um final feliz, há o "friozinho na barriga" quando ela se depara em uma situação problema e o roer dos dedos, os olhos esbugalhados, atentos, fixos, quando o suspense penetra através da tela, quando ela entra em uma casa escura e assombrosa e dizemos para nós mesmos: Saia daí!
Contudo, ela entra, apavorada mas não exita e enfrenta o terror e quando ela está aliviada, suspiramos, e dizemos: Sua doida, porque fez isso?!
Saber o final do filme sem assisti-lo é sem graça, contudo, podemos decidir se queremos assistir: terror, drama, suspense, romance, comédia ou até mesmo ficção científica. Basta você decidir.

Mariana disse...

Para o filme ser cativante, é necessário que o ator mergulhe no papel que fora dado. É preciso de um diretor dos bons, para disciplinar os que participam. Ele nós temos. Só não temos o roteiro, de modo que o próximo capítulo explica o anterior e assim conseguimos dar sequencia ao filme, "amanhã tem mais", eu pensava...

Beatriz Moniz disse...

"Somos todos atores no teatro da existência" como já dizia o sábio Augusto Cury.
Sim, teatro!
Creio que o teatro explicite melhor a nossa existência. O teatro é ao vivo, podemos sentir o cheiro, ver o suor escorrer, não há o CORTA do diretor, o que vier será!
Os gestos exagerados, as falas gritantes, a garganta seca após 2h de espetáculo. O cansaço. Mas o mais importante de tudo: sentir os aplausos no final.
Em filmes o ator não sente a platéia vibrar, se emocionar, sorrir... ele apenas espera que tenha ocorrido. Agora no teatro, o ator vivencia, se emociona por ter um público vibrando consigo!

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